Porto Alegre reduz casos de Aids em 31% em dez anos e avança na prevenção da transmissão do HIV

04/03/2026 17:05

A capital gaúcha apresenta queda consistente nos indicadores de HIV e Aids ao longo da última década, com redução de casos, diminuição da mortalidade e avanços na prevenção da transmissão da doença da mãe para o bebê. Os dados da vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde apontam para uma redução de 31% na detecção de Aids entre 2015 e 2024, passando de de 76,7 para 52,6 casos por 100 mil habitantes.

O trabalho realizado pelos Comitês de Prevenção da Transmissão Vertical do HIV e do Comitê de Mortalidade por Aids, que discutem casos com alta vulnerabilidade para evitar desfechos desfavoráveis, ampliação da testagem rápida e ações voltadas para jovens e as ações nos territórios, tem contribuído para a melhora dos indicadores na Capital. 

O boletim apresenta o processo que levou a capital a receber o Selo Prata de Boas Práticas para eliminação da transmissão vertical do HIV. A enfermeira Bianca Ledur Monteiro, da vigilância epidemiológica, destaca que a série histórica dos últimos dez anos mostra o declínio da taxa de detecção de gestantes, parturientes ou puérperas com infecção pelo HIV, ficando abaixo de 20 casos desde 2019, e, em 2025, abaixo de 15 casos por 1.000 nascidos vivos. A redução, explica o boletim, “pode ter influência direta com a ampliação de dispositivos anticoncepcionais de longa permanência (Larcs), possibilitando o planejamento familiar principalmente em mulheres em situação de vulnerabilidade”. 

De acordo com o boletim nacional, Porto Alegre apresentou em 2024 redução nas taxas de detecção de HIV em pacientes em geral, de gestantes com HIV e de mortalidade por Aids. No entanto, ainda apresenta a maior taxa de detecção de HIV em gestantes e na taxa bruta de mortalidade por Aids e está em terceiro lugar no ranking da taxa de detecção. 

O boletim também traz recomendações para a melhoria do cenário. “Há a necessidade de intensificar estratégias territorializadas, intersetoriais e antirracistas, com fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, ampliação da testagem rápida em contextos de maior vulnerabilidade e ações específicas voltadas a jovens adultos, especialmente na faixa etária de 20 a 29 anos”, destaca a enfermeira Bianca Ledur Monteiro.

Confira o boletim completo neste link.

 

Patrícia Coelho e Cristiano Vargas

Gilmar Martins