Pioneirismo que salva vidas: residência em Medicina de Emergência do HPS completa 30 anos
Ao entrar na emergência, iremos encontrar seres humanos em sofrimento. Muitos estarão vivendo o pior dia de suas vidas. A reflexão, da médica Rosângela Murr, integrante da primeira turma da residência em Medicina de Emergência do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, traduz um dos pilares que marcam os 30 anos do programa: a formação de profissionais altamente qualificados, sem perder de vista o cuidado humano.
Criada em 11 de abril de 1996, em um cenário em que a especialidade ainda não era reconhecida formalmente no Brasil, a residência do HPS se consolidou como referência nacional na formação de emergencistas e na qualificação do atendimento às urgências e emergências. Ao longo de três décadas, o programa formou gerações de médicos que hoje atuam em diferentes regiões do país, contribuindo para a evolução da área. Além disso, médicos pioneiros estiveram à frente da criação da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, consolidando institucionalmente a especialidade.
Rosângela, que atualmente é responsável técnica da Emergência do HPS, acompanhou essa trajetória desde o início. “Desde o primeiro momento, percebi que estava participando de algo pioneiro. Havia uma necessidade clara de qualificar o atendimento e estruturar melhor o cuidado nas emergências”, afirma. Segundo ela, os desafios iniciais incluíam o desconhecimento sobre a especialidade e a dificuldade de reconhecimento da importância de um treinamento específico. “A emergência exige rapidez, segurança e técnica apurada, pois o tempo é determinante para salvar vidas.”
Com o passar dos anos, a especialidade passou por transformações significativas. “Saímos de um modelo mais empírico para um atendimento estruturado, com protocolos, classificação de risco e maior integração com o sistema de saúde. Isso trouxe mais segurança ao paciente e melhores resultados assistenciais”, destaca. Entre os avanços estão a qualificação dos profissionais, a incorporação de tecnologias e a organização dos fluxos assistenciais.
O programa também acompanha mudanças no perfil dos atendimentos. “Os casos estão cada vez mais complexos, com pacientes mais graves e múltiplas comorbidades. Além disso, fatores como mudanças sociais, pandemia e desastres naturais impactam diretamente a rotina das emergências”, completa.
Além da técnica - Para além da evolução técnica, a formação humanizada segue como diferencial. O médico emergencista Christian Moraes ressalta que a residência do HPS prepara profissionais para lidar com a complexidade do cuidado. “Não se trata apenas de domínio técnico. O programa forma médicos com olhar atento ao paciente, capazes de tomar decisões sob pressão, trabalhar em equipe e atuar com empatia em situações críticas.”
O diretor técnico do Hospital de Pronto Socorro, Alexandre Glass, destaca o papel institucional e o incentivo do município ao longo das últimas décadas. “O programa de residência em Medicina de Emergência é estratégico para a qualificação da rede de saúde. Desde 1996, a prefeitura investe e incentiva essa formação, reconhecendo a importância de contar com profissionais preparados para o atendimento à população. Ao longo desses 30 anos, o HPS se consolidou como referência nacional.”
Símbolo desse percurso, Rosângela reforça que o legado da residência vai além da técnica, como raciocínio clínico rápido, capacidade de priorização e gestão, empatia, trabalho em equipe e o controle emocional. “Nosso compromisso é oferecer cuidado com rapidez, competência e humanidade. É isso que faz a diferença na vida dos pacientes e dá sentido ao nosso trabalho.”
Andrea Brasil