Encontro reúne profissionais da rede municipal para debater saúde mental
Saúde mental e práticas antimanicomiais foram tema de encontro da rede de atenção psicossocial do município na quarta-feira, 30. Promovido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o evento reuniu cerca de 200 profissionais no Teatro Renascença. Entre os objetivos está marcar a comemoração dos 25 anos da lei da reforma psiquiátrica (Lei 10.216, de 2001).
Na abertura, pela manhã, o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, afirmou que os resultados do investimento em saúde mental se dão ao longo do tempo, não é algo que se consiga instantaneamente. A pasta tem investindo na construção de novos serviços, como centros de atenção psicossocial, unidades de acolhimento e equipes multiprofissionais para fortalecer a prevenção de quadros mais urgentes. “Não podemos ter uma saúde mental pensada na urgência, temos que trabalhar precocemente, por isso colocamos também a saúde mental como prioridade nas equipes multiprofissionais, compostas com psiquiatras e psicólogos trabalhando junto com outras áreas para compor esse processo de prevenção”, destacou.
Conforme a diretora de Atenção Primária da SMS, Vânia Frantz, é preciso apresentar às pessoas diferentes possibilidades de cuidado nos territórios. “Estamos tentando, através da Coordenação de Saúde Mental, não olhar só para equipamentos e pontos de atenção, mas que se consiga discutir o processo, a forma como as equipes se relacionam, que vocês consigam olhar a construção que vocês têm feito e o que é possível avançar daqui para a frente”, disse.
O encontro contou com debates, apresentação de trabalhos, mostra de banners com iniciativas feitas na rede municipal e bancas de venda de produtos de geração de renda. O principal palestrante foi o psicólogo Emiliano de Camargo David, doutor em psicologia social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor-adjunto do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
À tarde, o diálogo foi orientado pelas experiências representadas, especialmente a partir das infâncias. David citou a a professora Maria Cristina Vicentin e a importância de valorizar aquilo que ela chama de possibilidade de preservar a dimensão da infância, inclusive dentro da luta antimanicomial, como forma de se contrapor a um adultocentrismo ao qual a reforma psiquiátrica muitas vezes está orientada.. Segundo ele, essa perspectiva pode contribuir para relações mais horizontais e para um cuidado que também valorize o brincar, reconhecendo a proposição de vida presente na luta antimanicomial e na reforma psiquiátrica. "É algo que as crianças e adolescentes nos indicam”, observou.
Gilmar Martins
