Diagnóstico de câncer de mama reforça importância de atenção aos sinais do corpo

18/10/2026 07:19
Cristine Rochol/PMPA
SMS
Ceres Vieira, usuária da US Hípica, compartilha sua história de prevenção e tratamento do câncer de mama

Aos 44 anos, a advogada Ceres Helena Cardozo Vieira transformou uma rotina que já fazia parte de sua vida em uma descoberta que mudaria sua relação com a própria saúde. Usuária da Unidade de Saúde Hípica, ela realizava mamografias regularmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente por ter histórico familiar de câncer de mama. Foi durante esse acompanhamento que recebeu o diagnóstico da doença, em julho de 2026.

A história de Ceres reforça uma orientação fundamental da Secretaria Municipal de Saúde: alterações nas mamas precisam ser investigadas e os cuidados com a saúde não devem ser adiados. “Eu já faço exame anual há quatro ou cinco anos, porque a minha mãe teve câncer de mama. Tenho o costume justamente para prevenir e ficar atenta”, conta.

Antes mesmo do diagnóstico, Ceres havia percebido um pequeno nódulo na mama direita ao tocar o próprio corpo. A mamografia realizada no ano anterior não havia identificado alteração, mas já havia recomendação para complementar a investigação com uma ecografia mamária. No início deste ano, ao retornar para sua mamografia de rotina, veio o alerta. O exame indicou uma alteração classificada como BI-RADS 5, dando início a uma sequência de consultas e exames até a confirmação do câncer.

“Foi bem impactante. Fiquei bem abalada, mas muito esperançosa, pensando: vamos lá, vai dar tudo certo”, lembra. A tranquilidade começou a voltar depois da consulta médica, quando recebeu informações sobre as características do tumor e as possibilidades de tratamento.

Diagnóstico e tratamento pelo SUS – Todo o acompanhamento de Ceres, desde os exames preventivos, foi realizado pela rede pública de Porto Alegre. Após o resultado da mamografia, ela foi encaminhada ao Hospital Vila Nova para avaliação com mastologista. Segundo a paciente, a primeira consulta ocorreu em poucas semanas. 

Na sequência, foram solicitados biópsia e exames pré-operatórios. Foram dez dias entre a confirmação diagnóstica e a cirurgia conservadora, com retirada do tumor e avaliação dos linfonodos. Após o procedimento, ela segue em acompanhamento para definição das próximas etapas do tratamento, que incluem radioterapia e hormonioterapia, além da avaliação sobre a necessidade de quimioterapia.

O acolhimento recebido durante o processo também marcou a paciente. “Os exames têm sido agendados bem rápido. Até o diagnóstico, o atendimento foi muito bom, mas, depois do diagnóstico, melhor ainda”, relata.

Acesso à mamografia – Porto Alegre mantém a mamografia sem demanda reprimida na rede pública desde agosto de 2025, quando a SMS zerou a fila de espera pelo exame. Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, garantir acesso ao exame é parte de uma estratégia que precisa começar antes do diagnóstico e continuar durante todo o tratamento.

“Quando falamos em câncer de mama, o tempo faz diferença. Nosso esforço é para que uma mulher que tenha indicação para realizar a mamografia não fique meses esperando pelo exame. Porto Alegre conseguiu eliminar a demanda reprimida e nosso desafio permanente é manter esse acesso. Mas tão importante quanto ter o exame disponível é procurar a unidade de saúde, manter o acompanhamento e não ignorar qualquer mudança percebida no corpo. Quanto mais cedo investigamos uma alteração, maiores são as possibilidades de um diagnóstico oportuno e de um tratamento adequado”, destaca Ritter.

Conhecer o próprio corpo – Atualmente, a recomendação para mamografia de rastreamento na rede pública é de realização a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos. Entre 40 e 49 anos, o exame pode ser realizado após avaliação e decisão compartilhada com o profissional de saúde, como foi o caso de Ceres. Independentemente da idade, alterações como nódulo persistente ou que esteja aumentando de tamanho, secreção espontânea pelo mamilo, retrações ou alterações na pele e mudanças no formato do mamilo devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Cuidar de si – Além dos exames, a experiência trouxe outra reflexão para Ceres: a necessidade de as mulheres reservarem espaço para o próprio cuidado em meio às responsabilidades cotidianas. “A nossa sociedade, diversas vezes, faz com que nós, mulheres, cuidemos muito dos outros e não de nós mesmas. É cuidar da família, do marido, da filha, do pai, da mãe, mas de si própria acaba ficando em segundo plano. Quando você viu, passou um ano, passaram dois, passaram cinco. Então é preciso prestar atenção, se priorizar, principalmente na saúde”, afirma.

Para quem está enfrentando um diagnóstico semelhante, ela também destaca a importância de seguir o tratamento, buscar informações e contar com pessoas de confiança durante o processo. “Embora tenha medo, conte com uma rede de apoio se puder. Pessoas que possam te ouvir e não vão te julgar. E faça o tratamento. Eu tenho 44 anos, quero viver no mínimo mais 40. E sem câncer, de preferência”, resume.

Onde buscar atendimento – Mulheres que perceberem alterações nas mamas ou que tenham dúvidas sobre a indicação da mamografia podem procurar sua unidade de saúde de referência. As equipes de Atenção Primária realizam a avaliação e, quando necessário, encaminham para exames e atendimento especializado na rede SUS.

Cristiano Vargas

Gilmar Martins