Cerca de 65% dos casos nos pronto atendimentos e na UPA de Porto Alegre são de baixa gravidade

10/03/2026 10:19

Cerca de 65% dos atendimentos realizados em 2025 nos pronto atendimentos e na UPA Moacyr Scliar são classificados como de baixa gravidade (azul e verde), de acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Saúde. Os dados do Sistema de Informações Hospitalares (Siho) e do Grupo Hospitalar Conceição, gestor da UPA, indicam que a maior parte da demanda não se enquadra como urgência ou emergência.

A análise da classificação de risco mostra que os casos classificados como verde, que representam situações clínicas estáveis e sem risco imediato à vida, correspondem à maioria dos atendimentos tanto nos pronto atendimentos quanto na UPA. No Pronto Atendimento Lomba do Pinheiro, esse percentual se aproxima de 80%. Na UPA Moacyr Scliar, quase metade dos atendimentos também se enquadra nessa categoria.

Por outro lado, os casos de maior gravidade, classificados como vermelho e laranja, que exigem atendimento imediato, representam uma parcela menor do total realizado. No Pronto Atendimento Bom Jesus, por exemplo, é menos de 1% dos pacientes consultados nos últimos três meses de 2025. 

Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, os números reforçam a necessidade de orientar a população sobre o uso correto da rede de saúde. “Quando cerca de dois terços dos atendimentos nos pronto atendimentos e na UPA são de baixa gravidade, isso mostra que muitas situações poderiam ser resolvidas na Atenção Primária, onde os pacientes são acompanhados pelas equipes de saúde da família, que estabelecem vínculos com a comunidade e conseguem acompanhar o histórico de cada usuário. Esses serviços de emergência precisam estar disponíveis para casos realmente graves, como dor intensa, falta de ar, suspeita de infarto ou AVC, acidentes e traumasâ€, afirma.

O secretário destaca que as unidades de saúde são a porta de entrada preferencial do SUS e estão preparadas para atender casos menos complexos, realizar acompanhamento contínuo e garantir cuidado integral aos pacientes. “Buscar o serviço adequado no momento certo ajuda a reduzir a sobrecarga das emergências e garante mais agilidade no atendimento de quem corre risco de vidaâ€, completa Ritter.

Classificação - Nos pronto atendimentos e na UPA, os pacientes passam por um processo de classificação de risco, realizado por profissionais de saúde logo na chegada ao serviço. O objetivo é priorizar quem precisa de atendimento primeiro, com base na gravidade do quadro clínico, e não na ordem de chegada.

A classificação utiliza cores para indicar o nível de urgência. O azul refere-se a situações sem urgência, geralmente relacionadas a demandas administrativas ou que não configuram necessidade de atendimento em serviços de emergência. Já o verde são casos de baixa gravidade, com condições clínicas estáveis, que podem aguardar atendimento ou ser acompanhados em outros pontos da rede, como as unidades de saúde.

O amarelo refere-se a casos de urgência, que necessitam de avaliação médica, mas sem risco iminente à vida, enquanto que o laranja está atrelado a casos muito graves, que exigem atendimento rápido, em curto espaço de tempo, e o vermelho a situações de emergência, com risco imediato à vida, com atendimento imediato.

 

  

 

Cristiano Santos

Andrea Brasil