Centro Histórico ganha protagonismo em encontro internacional sobre urbanismo
Durante o 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Ãreas Centrais, realizado na Usina do Gasômetro, a Prefeitura de Porto Alegre apresentou a estratégia que transforma o Centro Histórico da Capital em laboratório vivo de requalificação urbana. Na palestra “Centro+POA Futuraâ€, o secretário de Planejamento e Gestão, Cezar Schirmer, e o diretor de Programas de Financiamento da SMPG, Glênio Bohrer, dividiram a mesa com os consultores franceses Mathieu Battais e Guillaume Cromer, ambos contratados pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para a elaboração da Estratégia de Turismo Cultural da cidade.
A SMPG levou ao debate o Centro+ e a carteira do POA Futura como dois pilares de uma mesma resposta: requalificar a área central com prazo definido, financiamento estruturado e responsabilidade fiscal.
O recorte territorial dá a medida do desafio. Dos 1,33 milhão de habitantes de Porto Alegre, cerca de 40 mil vivem no Centro Histórico - área que concentra patrimônio tombado, equipamentos culturais, comércio, serviços e os principais terminais de transporte coletivo da cidade. Foi também a região mais impactada pelo evento climático de maio de 2024, que afetou 6.558 moradores e 8.115 empresas.
O Centro+ responde a esse cenário com uma agenda integrada: qualificação do espaço público, recuperação de prédios históricos como o Mercado Público, o Museu do Paço, a Usina do Gasômetro e o Viaduto Otávio Rocha, e revisão do marco regulatório urbanÃstico por meio da Lei 930/2021 e da Lei do Polo.
Para Schirmer, é justamente a articulação entre território e financiamento que torna a estratégia consistente. “Cidades que abandonam seus centros históricos negligenciam sua origem, sua identidade e um legado de grande relevância. O Centro+ é a nossa resposta a esse risco: um programa que une justiça territorial, qualificação urbana e resiliência climática dentro de um arranjo de financiamento estruturadoâ€, afirma o titular da SMPG.
Na sequência, Bohrer conduziu uma retrospectiva do Centro Histórico de Porto Alegre, situando a plateia no percurso que levou a cidade até o atual estágio de planejamento. Bohrer recuperou as transformações do território - do auge institucional do inÃcio do século à desertificação noturna, à concentração de comércio informal e à perda de função residencial que marcaram as décadas seguintes - e detalhou o que foi construÃdo nos últimos cinco anos, a partir de 2021, quando o Centro+ foi estabelecido como projeto de governo.
Nesse perÃodo, a Prefeitura executou ações de zeladoria e qualificação do espaço público, recuperou prédios históricos com intervenções como a iluminação cênica e a requalificação do segundo andar do Mercado Público, estruturou a mobilização cultural permanente, com eventos como a Noite dos Museus, o Viva o Centro a Pé e o Festival Fronteiras, e consolidou uma visão estratégica de Centro Estendido que articula 4º Distrito, Centro Histórico e Orla.
A presença dos consultores franceses no painel materializa uma das frentes mais estratégicas da revitalização do Centro Histórico de Porto Alegre. Mathieu Battais, geógrafo e urbanista, e Guillaume Cromer, especialista em turismo cultural e sustentável, foram contratados pela AFD para desenhar a Estratégia de Turismo Cultural da cidade, vetor que articula patrimônio histórico, economia criativa e novos circuitos de visitação no Centro Histórico.
A escolha reforça o alinhamento entre o financiamento captado e a metodologia aplicada: a AFD não apenas aporta recursos, mas mobiliza expertise técnica francesa em requalificação de áreas centrais e turismo de base cultural. A carteira do POA Futura organiza mais de R$ 7 bilhões em financiamentos nacionais, internacionais e recursos próprios, distribuÃdos em mais de 300 obras e ações nas frentes de prevenção a cheias, infraestrutura, mobilidade, gestão, transparência, inclusão econômica e área social. Dentro dela, o Centro+4D opera como núcleo do programa de revitalização da área central – organizado em quatro vetores: turismo cultural, qualificação do espaço público, mobilidade urbana e distrito de baixo carbono.
A apresentação no encontro internacional consolida uma posição que vinha sendo construÃda desde 2021: transformar o Centro Histórico de Porto Alegre em referência metodológica para cidades que enfrentam o mesmo desafio, recuperar suas áreas centrais sem abrir mão da identidade que as define, e fazer isso com escala, financiamento estruturado e prazo de entrega. Mais do que apresentar projetos, a Prefeitura levou à Usina um modelo de governança urbana em que requalificação fÃsica, agenda climática e estratégia financeira deixam de operar em paralelo e passam a se sustentar mutuamente. É essa integração - entre território, financiamento e gestão - que o Centro+ propõe como caminho, e que o POA Futura viabiliza como carteira.
Cristiano Vieira