Descoberta de antigo pavimento vira sítio arqueológico após obras do Quadrilátero Central
Nesta segunda-feira, 9, Porto Alegre passou a contar com o primeiro sítio arqueológico sinalizado em espaço aberto. A descoberta ocorreu durante a primeira etapa das obras de revitalização das nove vias que compõem o Quadrilátero Central, no Centro Histórico.
Durante escavações na rua Doutor Flores, equipes encontraram um antigo calçamento de pedra utilizado entre 1912 e 1928, segundo a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi). Parte da estrutura foi preservada no local e passou a integrar uma sinalização patrimonial aberta à visitação.
Duas placas de sinalização patrimonial foram instaladas na via, em frente ao número 76, com informações sobre a descoberta arqueológica e detalhes da configuração urbana do início do século XX. No piso, no mesmo local onde foi realizada a sondagem, permanecem estruturas remanescentes do calçamento, permitindo a visualização por quem passa pela rua.
O totem foi desenvolvido pela consultoria em arqueologia Arqueo-Tri, com ilustrações da artista visual Ana Luiza Koehler. “Agora temos o primeiro sítio arqueológico devidamente sinalizado em uma das principais vias do Centro Histórico de Porto Alegre. A história da construção da cidade segue preservada, e ela é de todos nós”, destaca o secretário André Flores.
Calçamento — O calçamento regular de paralelepípedos e o calçamento irregular foram descobertos em agosto de 2023 durante monitoramento arqueológico realizado na substituição das redes de água do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae). O pavimento esteve em uso na rua Doutor Flores entre 1912 e 1928.
Segundo a Arqueo-Tri, nesse período o Centro Histórico passou por um intenso processo de modernização, com a execução de diversas obras de infraestrutura. “A relevância do achado foi prontamente reconhecida pela Smoi. Tivemos apoio na proposta de implantação de sinalização patrimonial no local, possibilitando que os cidadãos de Porto Alegre tenham acesso a esse importante legado histórico”, afirma o arqueólogo Marcelo Lazarrotti.
Gilmar Martins
