Cluster de Saúde impulsiona inovação e turismo de eventos em Porto Alegre
Quando um paciente chega a Porto Alegre em busca de diagnóstico ou tratamento, a saúde movimenta uma cadeia que vai muito além do atendimento. Hospitais, laboratórios, universidades, centros de pesquisa, ambientes de inovação, startups, indústria, poder público e serviços especializados formam o que se chama de Cluster de Saúde. Em Porto Alegre, esse ecossistema gera conhecimento, trabalho e renda e também impulsiona a atração de pacientes, investimentos, congressos e eventos, com reflexos na hotelaria, gastronomia, mobilidade, comércio e serviços.
A Capital reúne 34 estabelecimentos hospitalares e 6.708 leitos, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde consolidados pelo Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul. A força da rede aparece também nos rankings. O Hospital de ClÃnicas de Porto Alegre foi reconhecido em 2025 como o melhor hospital público da América Latina pela IntelLat. O Hospital Moinhos de Vento alcançou o 111º lugar mundial no World's Best Hospitals 2026, da revista Newsweek, e foi apontado como o melhor da Região Sul.
A excelência, porém, não se resume à s posições em listas. O Grupo Hospitalar Conceição é uma das maiores estruturas públicas de saúde do paÃs e forma cerca de um terço dos médicos especialistas do Rio Grande do Sul. A Santa Casa mantém atendimento de alta complexidade e um centro de formação em cirurgia robótica. O Hospital São Lucas da PUCRS combina assistência, ensino e pesquisa e iniciou, em 2026, seu programa de cirurgia robótica. Hospitais como Mãe de Deus, Divina Providência, Ernesto Dornelles e Fêmina ampliam uma rede reconhecida em áreas como oncologia, cardiologia, neurologia, saúde da mulher, transplantes e cuidado materno-infantil.
Para o prefeito Sebastião Melo, transformar essa vocação em desenvolvimento significa fortalecer uma cidade que cuida de pessoas e, ao mesmo tempo, produz oportunidades.
"Porto Alegre construiu uma rede de saúde que atende gaúchos e brasileiros de muitas regiões. Quando apoiamos esse ecossistema, valorizamos os profissionais, qualificamos o atendimento e também geramos emprego, renda, conhecimento e novas oportunidades para a cidade" - Prefeito Sebastião Melo.Â
Turismo de saúde e eventos - A circulação de pacientes, acompanhantes, pesquisadores e profissionais consolida também o turismo de saúde e de negócios. Um levantamento do IBGE mostrou que, em 2021, 21,6% dos turistas nacionais que viajaram ao Rio Grande do Sul por motivos pessoais buscavam tratamento de saúde. Embora o dado seja estadual, ele ajuda a dimensionar uma demanda percebida na Capital e reforça a necessidade de integrar atendimento, acolhimento, hospedagem, mobilidade e informação turÃstica.
A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Eventos, Susana Kakuta, destaca que a saúde conecta diferentes vocações de Porto Alegre. "Não estamos falando apenas de receber um congresso ou de prestar um atendimento. Estamos falando de uma cadeia que une hospitais, universidades, tecnologia, hotelaria, gastronomia e serviços. Nosso desafio é transformar essa excelência em uma estratégia permanente de atração de eventos, investimentos e talentos", diz.
O calendário de eventos recente mostra o potencial. Em junho de 2026, o Congress on Brain, Behavior and Emotions reuniu mais de 7 mil profissionais no Centro de Eventos da Fiergs, integrado à primeira Brain Week, que aproximou ciência e população com atividades gratuitas. Em julho, o 39º Congresso do Conasems recebeu mais de 13 mil inscritos e levou à cidade gestores e trabalhadores do Sistema Único de Saúde de todo o Brasil.
Em 2025, a Health Meeting Brasil/Sindihospa reuniu mais de 20 mil visitantes, 260 marcas expositoras, 45 startups e 24 congressos. A edição de 2026 ocorrerá de 22 a 24 de setembro, na Fiergs, com expectativa de 25 mil visitantes. A Capital também recebe, em agosto, o Congresso Brasileiro de Saúde Única/Uma Só Saúde; em novembro, o Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Em abril de 2027, sediará o Congresso Brasileiro de Medicina de FamÃlia e Comunidade. Além do impacto direto, esses encontros conectam serviços locais a redes de pesquisa, fornecedores, investidores e novas práticas assistenciais.
O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, ressalta a capacidade de Porto Alegre de compartilhar soluções com outras cidades. "Nossa rede atende casos de alta complexidade e, ao mesmo tempo, produz experiências que podem melhorar o SUS em todo o paÃs. Receber profissionais e gestores é uma oportunidade de aprender, mostrar resultados e reconhecer quem transforma a saúde pública todos os dias", afirma.
Tecnologia aplicada à saúde - Em 2026, hospitais de Porto Alegre iniciaram o Conecte Saúde, projeto-piloto que integra informações clÃnicas entre instituições para dar continuidade ao cuidado. O Hospital de ClÃnicas estrutura o HCPATec, parque tecnológico voltado a aproximar assistência, pesquisa, empresas e startups. No Moinhos de Vento, o centro de inovação testa soluções com inteligência artificial, realidade virtual e análise preditiva. Santa Casa e São Lucas avançaram em cirurgia robótica, enquanto instituições locais desenvolvem ferramentas de saúde digital e apoio à decisão clÃnica.
Para Jorge Audy, superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS, Porto Alegre reúne um dos mais importantes clusters de saúde da América Latina e o segundo do Brasil. O ecossistema conecta hospitais universitários e privados, universidades, empresas e centros de pesquisa em áreas como neurociências, doenças raras, cardiologia e oncologia. Segundo ele, essa estrutura gera atividade econômica e atrai pessoas em busca de atendimento clÃnico e cirúrgico de excelência, impulsionando o turismo de saúde e o desenvolvimento. Audy destaca ainda iniciativas como o Biohub, no Tecnopuc, o HCPATec e o projeto Saúde Digital, articulado pela Aliança para Inovação e pelo Pacto Alegre.
Para o secretário do Gabinete de Inovação, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, o diferencial está na possibilidade de transformar conhecimento em soluções escaláveis. "Porto Alegre reúne hospitais de referência, universidades, pesquisadores, empresas e ambientes de inovação. Quando esses atores trabalham conectados, uma necessidade identificada no cuidado pode se transformar em tecnologia, negócio e impacto social para muitas outras cidades", destaca.
Indústria e formação de talentos - A indústria é outro componente essencial desse ecossistema. Thomaz Nunnenkamp, presidente do Sindicato das Empresas do Complexo Industrial da Saúde no Estado do Rio Grande do Sul (Sindicis-RS) e diretor-executivo do Laboratório Saúde, representa um segmento que reúne fabricantes e fornecedores de medicamentos, dispositivos, insumos e outras soluções para o setor.
Para Eduardo Capellari, reitor da Atitus Educação, o Cluster de Saúde é estratégico para o desenvolvimento econômico do Estado. Segundo ele, a articulação entre empresas, indústrias, hospitais, universidades, centros de pesquisa e startups favorece novas tecnologias, qualifica os serviços de saúde, gera empregos e fortalece os arranjos produtivos locais, mas exige estratégias conjuntas entre governos, setor privado e instituições de ensino.
Em setembro, a Atitus apresentará o Atitus Health Hub, iniciativa voltada a acelerar startups de saúde digital, dispositivos médicos e biotecnologia e aproximar a pesquisa aplicada de investidores, hospitais e indústrias. O processo de aceleração terá como operadora estratégica a Eretz.bio, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Uma cadeia conectada - A atuação conjunta desses diferentes atores traduz, na prática, o conceito de Cluster de Saúde. Hospitais, universidades, indústria, startups, pesquisa, tecnologia, formação profissional, turismo e poder público passam a compor uma cadeia capaz de ampliar a competitividade de Porto Alegre, atrair investimentos e eventos, estimular novos negócios e melhorar a experiência de quem vem à cidade em busca de cuidado.
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Andrea Brasil
