Divulgado balanço dos sinistros de trânsito com mortes no primeiro semestre de 2026
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) divulgou o balanço dos sinistros de trânsito com mortes registradas em Porto Alegre no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram contabilizados 44 sinistros fatais nas vias urbanas da Capital, que resultaram em 45 mortes. Os dados integram o monitoramento permanente realizado pelo Programa Vida no Trânsito (PVT), que analisa todas as ocorrências fatais para identificar os principais fatores de risco e orientar ações de fiscalização, engenharia e educação para o trânsito.
"Os números do primeiro semestre mostram que ainda temos um grande desafio, mas também comprovam que ações integradas geram resultados. Iniciamos 2026 com um cenário muito preocupante, registrando 20 mortes no primeiro bimestre, o maior número para o período em mais de 10 anos", destaca Pedro Bisch Neto, diretor-presidente da EPTC.
Diante desse quadro, a EPTC intensificou o monitoramento, a fiscalização, as ações de educação para o trânsito e as intervenções de engenharia voltadas à segurança viária. Esse trabalho permitiu conter a tendência de crescimento da mortalidade e encerrar o semestre com 45 vítimas fatais, o mesmo número registrado nos primeiros semestres de 2024 e 2025.
"Embora qualquer morte seja inaceitável, o resultado demonstra que conseguimos reverter uma curva que apontava para um cenário muito mais grave. Seguiremos investindo em fiscalização inteligente, infraestrutura e conscientização para preservar vidas no trânsito de Porto Alegre", afirma o diretor-presidente da EPTC.
Os motociclistas seguem sendo o grupo mais vulnerável entre os condutores. Das 45 vítimas fatais, 21 eram condutores e, destes, 17 eram motociclistas, o equivalente a 81% dos condutores mortos. Considerando também os atropelamentos de pedestres e a morte de um ocupante de motocicleta, esse tipo de veículo esteve envolvido em 25 das 45 mortes registradas no período, representando 56% dos óbitos.
Os pedestres também representam parcela significativa das vítimas fatais. Foram 20 mortes, correspondendo a 44% do total. Entre esses casos, sete pedestres foram atropelados por motocicletas, cinco por ônibus urbanos e cinco por automóveis. Ainda houve um atropelamento fatal por uma bicicleta, um por veículo de lotação e um por ônibus metropolitano. Os atropelamentos permaneceram como o tipo de sinistro mais frequente, respondendo por 20 ocorrências, o equivalente a 45% do total.
O levantamento aponta ainda que 76% das vítimas eram do sexo masculino e que 56% dos óbitos ocorreram no próprio local do sinistro. A idade média das vítimas foi de 49 anos. Entre os motociclistas mortos, a média de idade foi de 31 anos. Já os idosos representaram 28% das vítimas fatais, sendo que, entre eles, 76% eram pedestres.
Em relação à distribuição geográfica, a região Leste concentrou o maior número de sinistros com morte, com 15 registros, seguida pelas regiões Sul, com 11, e Centro e Norte, com nove ocorrências cada. A avenida Protásio Alves foi a via com maior número de registros fatais, com cinco mortes, seguida pelas avenidas João Pessoa, Farrapos e Bento Gonçalves, com três casos cada.
A análise parcial dos fatores de risco realizada pelo Programa Vida no Trânsito indica que a condução por motoristas sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) regularizada ou sem habilitação foi o principal fator identificado nos sinistros fatais já analisados em 2026, seguida pelo desrespeito ao sinal de parada obrigatória ou semáforo, excesso ou inadequação de velocidade e comportamentos imprudentes. É importante destacar que, em 13 dos sinistros fatais registrados no semestre, ao menos um dos condutores envolvidos não possuía CNH ou estava com a habilitação irregular. Em nove desses casos, o veículo envolvido era uma motocicleta.
O levantamento informa que parte dos exames toxicológicos e de alcoolemia ainda está em processamento, o que poderá complementar os resultados finais.
Para a EPTC, os indicadores reforçam a necessidade de intensificar ações integradas de fiscalização, educação para o trânsito e engenharia viária, especialmente voltadas à proteção dos usuários mais vulneráveis e ao enfrentamento das principais condutas de risco identificadas pelo Programa Vida no Trânsito. As informações subsidiam o planejamento das estratégias adotadas pelo município para reduzir a violência no trânsito e preservar vidas.
As ações de engenharia, educação e fiscalização da EPTC integram o Plano de Segurança Viária Sustentável (PSVS) da Capital e seguem as diretrizes do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) e reforçam o compromisso de Porto Alegre com a preservação de vidas e a promoção de um trânsito mais seguro.
Pnatrans – O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito (Pnatrans) foi instituído em 2018 pela Lei nº 13.614 para orientar os gestores a implementarem ações com o objetivo de reduzir mortes e lesões, em alinhamento com a Nova Década de Segurança no Trânsito da Organização das Nações Unidas (ONU).
Vida no Trânsito – Porto Alegre integra o Programa Vida no Trânsito (PVT), coordenado pelo Ministério da Saúde, e desde 2012 faz a análise de todos os acidentes fatais, com o objetivo de identificar os fatores e condutas de risco que resultaram em ocorrências com mortes. As causas de sinistros de trânsito decorrem, na sua maioria, de ações comportamentais dos usuários das vias. A partir da identificação desses fatores e condutas de risco, como subsídio para as áreas de educação, planejamento e fiscalização, as ações são direcionadas para a prevenção de novos acidentes.
Cristiano Vieira
