Reconhecimento facial do cercamento eletrônico auxilia na localização de pessoas desaparecidas

03/08/2026 09:30

A tecnologia de reconhecimento facial integrada ao sistema de Cercamento Eletrônico de Porto Alegre passou a reforçar as ações de localização de pessoas desaparecidas. A ferramenta utiliza a base de dados do Estado, sincronizada pela Procempa, para gerar alertas automáticos quando uma pessoa cadastrada é identificada por câmeras de monitoramento da cidade.

Quando uma ocorrência é detectada, o alerta é encaminhado ao Centro Integrado de Coordenação de Serviços (Ceic), que aciona a Guarda Civil Metropolitana (GCM) para deslocamento até o local e verificação da ocorrência.

Nos casos em que a pessoa localizada é menor de idade, ela é encaminhada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) ou ao Conselho Tutelar, conforme o caso. Quando se trata de um adulto que manifesta não querer ser encontrado, é feito um registro em vídeo dessa manifestação, encaminhado à Polícia Civil para que seja providenciada a baixa do registro de desaparecimento.

“O reconhecimento facial aplicado à localização de desaparecidos fortalece a capacidade de resposta das forças de segurança, reduz o tempo de atuação das equipes e aumenta as chances de um desfecho positivo. É uma solução que integra inteligência, inovação e atuação conjunta em benefício da população", explica o secretário municipal de Segurança, Alexandre Aragon.

Integração - Os testes da integração começaram em janeiro deste ano. Em abril, a  solução foi expandida para outras câmeras e totens de monitoramento. Atualmente, 25 câmeras estão habilitadas para realizar o reconhecimento facial de pessoas desaparecidas na capital gaúcha.

Nos últimos 30 dias, o sistema registrou 93 alertas. Por questões previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o banco de dados estadual não informa a cidade de origem da pessoa identificada.

Para ampliar a agilidade no atendimento, a Secretaria Municipal de Segurança promoveu a integração entre os órgãos envolvidos. Além da GCM, Brigada Militar e Polícia Civil passaram a compartilhar os alertas em tempo real, inclusive por meio de um grupo de comunicação entre as corporações. A Brigada Militar também passou a atuar fisicamente no Ceic, fortalecendo a resposta integrada às ocorrências.

A tecnologia empregada segue o mesmo modelo operacional já utilizado pelo cercamento eletrônico para o monitoramento de veículos e outras ocorrências de segurança pública, ampliando sua aplicação para apoiar a localização de pessoas desaparecidas.

Inteligência artificial - Além dos alertas automáticos gerados pelo reconhecimento facial, os agentes de segurança pública recentemente também passaram a contar com o apoio da plataforma de inteligência artificial generativa SynapseAI, desenvolvida pela Procempa para apoiar atividades de análise investigativa e operacional.

A partir de informações como nome ou CPF, a ferramenta pode realizar consultas na base de dados integrada, localizar registros relacionados à pessoa, gerar gráficos de passagens, identificar padrões de deslocamento e produzir insights sobre os pontos e horários em que há maior frequência de circulação. Essas informações auxiliam as equipes na definição de estratégias de monitoramento e abordagem, contribuindo para aumentar a efetividade das ações de localização de pessoas desaparecidas.

“O cercamento eletrônico já demonstrou, ao longo dos últimos anos, sua relevância na redução de crimes e no apoio às forças de segurança de Porto Alegre. Agora, ao integrarmos reconhecimento facial e inteligência artificial generativa para apoiar a localização de pessoas desaparecidas, damos um novo passo no uso da tecnologia em benefício direto da sociedade”, pontua Marcio Scherer, gestor de Inovação e Arquitetura da Procempa.  

 

Cristiano Vieira e Jéssica Moraes

Lissandra Mendonça