Indígenas acampados no Parque Harmonia recebem atendimento de saúde

02/04/2026 15:42
Cristine Rochol/PMPA
SMS
Hipertensa, dona Tereza realizou exame físico de coração e pulmão com profissionais da saúde

Equipes da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) levaram atendimento a indígenas acampados no Parque Harmonia nesta quinta-feira, 2. O grupo faz parte da etnia Kaingang e vem de diferentes municípios do interior do Estado para comercializar artesanato de Páscoa, como forma de gerar renda para as famílias. Este é o terceiro dia de atendimento no local.

Dona Tereza Costa, 66 anos, estava se queixando de palpitação. A medição da pressão arterial mostrou alteração, e a equipe constatou que ela havia interrompido o tratamento para hipertensão. Após exame físico de coração e pulmão, a orientação é que ela retome o acompanhamento na unidade de saúde do município de Tenente Portela.

A enfermeira Nadia Calixto, tutora de campo da Residência Multiprofissional da Atenção Primária à Saúde, explica que a ideia é contribuir para que as coisas evoluam bem enquanto os indígenas estiverem na Capital. “Verificamos a pressão, fazemos orientações gerais com a equipe médica, de enfermeiros e farmacêuticos, além de encaminhamentos de odontologia de urgência, prevendo que não haja piora nos casos”, conta. O transporte para os serviços de saúde, quando necessário, é feito com apoio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde.

 representante da Comissão de Direitos Humanos Indígena, Miguel Farias, diz que esta é uma tradição que dura mais de 25 anos. “É uma prática que passa para as novas gerações e mostra um pouco da cultura tradicional Kaingang”, afirma. Participam famílias dos municípios de Planalto, Três Palmeiras, Engenho Velho, Constantina, Rodeio Bonito, Tenente Portela, Gramado dos Loureiros e Liberato Salzano, totalizando cerca de 300 pessoas.

A médica de família e comunidade Francine Veadrigo, preceptora da Residência de Família e Comunidade da SMS, destaca que as crianças também pedem cuidado especial. “Como é uma situação sazonal, os atendimentos de queixas agudas são os mais importantes, principalmente para as crianças, até porque começamos a ter uma variação de doenças respiratória e gastrointestinais, além de casos crônicos para acompanhamento”, comenta.

As equipes entregaram creme, escova e fio dental e repelente. As crianças ganharam desenhos, lápis de cor e barbantes brincar de cama de gato. O atendimento ficou por conta de integrantes da Residência de Medicina de Família e Comunidade e Multiprofissional de Atenção Primária à Saúde, com acompanhamento da Área Técnica de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas da SMS.

Vanessa Conte

Cristiano Vieira