Prefeito alinha estratégias climáticas com Defesa Civil e especialistas
O prefeito Sebastião Melo reuniu-se, nesta segunda-feira, 30, na sede da Defesa Civil de Porto Alegre, com os gestores do órgão e os técnicos da Catavento Meteorologia para entender os prognósticos climáticos e alinhar as estratégias de preparação da cidade para os próximos meses. Durante o encontro, os meteorologistas apresentaram análises atualizadas sobre o comportamento do clima, incluindo um comparativo com anos anteriores em que o fenômeno El Niño esteve presente no Rio Grande do Sul.
Melo afirmou que solicitará um relatório consolidado de todos os órgãos municipais envolvidos na resposta a eventos climáticos e nas ações de mitigação, com o objetivo de fortalecer o planejamento e a atuação integrada da prefeitura diante dos cenários projetados.
"Acompanhamos de perto as previsões meteorológicas, ao lado de profissionais qualificados, para levar à população informações claras e precisas, que auxiliem na tomada de decisões em situações de eventos climáticos extremos. Porto Alegre está mais preparada do que antes, com mais recursos tecnológicos e avanços significativos no sistema de proteção contra cheias. Seguimos atentos e com as equipes prontas para garantir a segurança da população" - Prefeito Sebastião Melo.
A avaliação técnica indica que, neste trimestre, ainda predominam condições neutras do El Niño Oscilação Sul (Enos), em transição após o enfraquecimento da La Niña. No entanto, há aumento gradual na probabilidade de formação do El Niño, podendo alcançar cerca de 60% a partir do trimestre maio-junho-julho.
Os especialistas destacaram que o último episódio do fenômeno, entre 2023 e 2024, esteve entre os cinco mais intensos já registrados, sendo determinante para a ocorrência de recordes de temperatura e eventos climáticos extremos. Atualmente, a temperatura média dos oceanos figura como a segunda mais alta já registrada, além de haver aquecimento significativo nas águas subsuperficiais — fatores que reforçam o cenário de atenção.
Como reflexo desse cenário, as previsões indicam tendência de chuvas acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente no trimestre julho-agosto-setembro, com destaque para o mês de setembro, que pode registrar volumes até 100 mm acima da média histórica. Apesar disso, os técnicos ressaltaram que os impactos não ocorrem de forma uniforme. Cada município responde de maneira diferente às condições climáticas, conforme suas características locais, como relevo, drenagem e áreas de risco. Por isso, a análise isolada da previsão do tempo não é suficiente para a tomada de decisão.
Durante a apresentação, foi reforçada a importância da integração entre dados meteorológicos, hidrológicos e geológicos para qualificar a gestão de riscos. Esse tipo de abordagem permite antecipar impactos reais e orientar ações mais eficazes.
“O nosso foco não é apenas acompanhar a previsão do tempo, mas transformar essa informação em planejamento. A gente trabalha para entender como cada cenário pode impactar a cidade e, a partir disso, antecipar ações. Essa integração entre áreas técnicas é o que nos permite agir com mais precisão e responsabilidade diante dos possíveis eventos.”, destacou o secretário executivo da Defesa Civil, Evaldo Rodrigues.
Gilmar Martins
